A Ponte JK, um dos símbolos mais reconhecidos de Brasília, vive uma fase decisiva de sua reforma com a adoção de uma estratégia pouco convencional: a limpeza dos arcos está sendo realizada com o apoio de drones, em uma operação montada diretamente sobre o Lago Paranoá. A medida mudou a dinâmica da obra e trouxe mais velocidade a uma das etapas mais complexas da intervenção.
Em vez de estruturas fixas ou acesso por plataformas tradicionais, a equipe técnica optou por um sistema móvel, operado a partir de uma balsa. A solução permite alcançar pontos elevados com mais precisão e reduz a necessidade de interferência no trânsito, já que essa etapa ocorre fora da pista.
À frente do acompanhamento do projeto, o arquiteto Juan Carlos Del Carpio Natcheff, da Novacap, afirma que a decisão foi resultado de testes prévios e da análise de alternativas. “Buscávamos uma forma mais eficiente de executar a limpeza sem recorrer a métodos mais pesados. Após os testes, ficou claro que o uso dos drones oferecia o melhor desempenho”, disse, em versão reescrita.
O modelo adotado combina dois equipamentos em operação simultânea. Um deles é responsável pelo jato de água de alta pressão, enquanto o outro atua como suporte técnico, fornecendo dados que ajudam a guiar o trabalho com precisão. “O sistema funciona de maneira integrada, permitindo ajustes em tempo real para garantir que toda a superfície seja alcançada corretamente”, explicou.
A água utilizada é captada do próprio lago e direcionada ao equipamento principal. “O drone faz a sucção e executa a limpeza, enquanto o outro auxilia no controle do posicionamento. Tudo é operado remotamente por um profissional que acompanha a ação da balsa”, detalhou.
Segundo o arquiteto, o método também foi escolhido por reduzir impactos ambientais. “Não precisamos remover completamente a pintura existente, o que evita o uso de produtos químicos. Isso impede qualquer risco de contaminação da água”, destacou.
Com essa configuração, a limpeza ocorre durante o dia sem necessidade de bloqueio de faixas. Já os serviços que exigem ocupação da via seguem concentrados no período noturno, entre 23h e 4h, com interdições parciais no sentido Plano Piloto/Lago Sul.
A previsão é de que essa etapa seja finalizada nos próximos dias. “A ideia é concluir essa fase rapidamente para dar sequência à pintura dos arcos, que será feita de forma manual”, afirmou Natcheff.
Enquanto isso, outras frentes seguem em paralelo. Equipes atuam na recuperação de corrimãos e pilares, e a parte inferior da ponte já passou por limpeza e pintura.
A reforma também inclui a aplicação de novos materiais, com foco na durabilidade. “Estamos utilizando revestimentos que ajudam a preservar a estrutura por mais tempo, reduzindo a necessidade de manutenção frequente”, explicou o arquiteto, ao mencionar o uso de tintas com propriedades específicas para proteção e conservação.
Mais do que uma intervenção estética, a obra busca atualizar a forma de manutenção de grandes estruturas na capital. A Ponte JK, além de cartão-postal, passa a ser também um exemplo de como soluções tecnológicas podem transformar a execução de obras públicas.
