Em um ambiente político frequentemente marcado por vaidades pessoais, disputas internas e alianças frágeis, o cenário do Distrito Federal se destaca por uma experiência rara de estabilidade institucional: a sólida parceria entre o governador Ibaneis Rocha (MDB) e a vice-governadora Celina Leão (PP). Mais do que sobreviver às intempéries políticas dos últimos anos, a dobradinha Ibaneis-Celina amadureceu, consolidou entregas e se apresenta hoje como uma engrenagem de governança que alia pragmatismo, coesão e foco em resultados.
Ao contrário de outras construções políticas sustentadas pela conveniência eleitoral ou arranjos circunstanciais, a aliança entre Ibaneis e Celina foi se firmando sobre bases programáticas e operacionais. De um lado, Ibaneis, advogado e gestor de perfil técnico, adota uma postura mais discreta, mas com clareza administrativa e firmeza institucional. De outro, Celina, com DNA parlamentar e grande capacidade de articulação, tem ampliado seu protagonismo dentro e fora do governo, se posicionando como figura-chave na condução de políticas públicas e no diálogo com a sociedade.
Essa complementaridade tem se traduzido em políticas que alcançam os territórios e respondem a demandas concretas da população. Programas sociais como o DF Social e o Cartão Gás são exemplos de ações contínuas, planejadas e com alcance efetivo. O diferencial está na articulação entre as frentes: transferência de renda, segurança alimentar e qualificação profissional formam uma rede integrada de proteção social.
O governo também avançou no planejamento de longo prazo. A gestão Ibaneis deixou de atuar apenas no improviso das emergências — embora tenha dado respostas rápidas em crises como a pandemia e os incêndios no Parque Nacional — e passou a operar com metas estruturantes. Reformas urbanas, ampliação da infraestrutura de mobilidade e estímulo ao setor produtivo por meio de incentivos fiscais formam o tripé de uma agenda voltada para o desenvolvimento sustentável e a geração de emprego e renda.
Nesse contexto, o papel de Celina Leão vai muito além das atribuições formais de uma vice-governadora. Ela ocupa espaços, participa de decisões estratégicas, visita comunidades, articula com o Legislativo e transita com desenvoltura entre os bastidores políticos e as demandas populares. Sua presença constante em temas sensíveis e sua atuação propositiva a colocam em posição de protagonismo real — e não simbólico. Não por acaso, seu nome é cada vez mais citado nas articulações para a sucessão em 2026.
A sucessão, aliás, parece ser mais que um projeto político: desponta como um desdobramento lógico de uma gestão que se mostra coesa e com legado em construção. Ibaneis Rocha já sinalizou seu interesse em disputar uma vaga ao Senado. Com isso, a saída prevista para abril de 2026 pavimentaria uma transição institucionalmente fluida, marcada por continuidade programática. E Celina Leão, com experiência, capital político e presença consolidada no governo, desponta como o nome natural para dar sequência ao projeto iniciado em 2019.
O cenário do DF, que já foi palco de rachas e disputas pelo protagonismo em governos anteriores, hoje apresenta uma engenharia política mais racional e eficiente. A aposta na estabilidade, no diálogo e na entrega de resultados tem substituído o personalismo e a improvisação — marcas ainda comuns na política brasileira.
Em tempos de crise de representatividade e de descrédito nas instituições, a experiência do DF sugere que é possível construir governabilidade com planejamento, responsabilidade e cooperação. E se 2026 ainda é um ponto no horizonte, o presente já desenha com clareza os contornos do que está por vir: uma possível transição sem sobressaltos, ancorada em uma gestão que alia técnica e política, e em uma liderança feminina que não espera ser chamada — mas que já ocupa o centro da cena.
